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Oposição britânica volta a recusar eleições antecipadas
Trabalhistas, liberais, verdes, nacionalistas escoceses e galeses não vão apoiar, segunda-feira, o segundo pedido de Boris Johnson para antecipar as legislativas
Publicado Sexta-Feira, 6 de Setembro de 2019, às 11:24 | Fonte Expresso - Portugal 0

 
 

Divulgação/ Internet

É muito improvável que os britânicos sejam chamados às urnas em outubro, como pretendia o primeiro-ministro conservador. Depois de o Parlamento ter recusado, quarta-feira, marcar eleições antecipadas para 15 de outubro, Boris Johnson anunciou que iria reapresentar a proposta na segunda-feira. A oposição anunciou esta sexta-feira que não vai viabilizar o pedido.

A oposição quer forçar Johnson a governar até 19 de outubro, uma vez que, ao abrigo de uma nova lei adotada há dois dias (e que entrará em vigor muito em breve), caso não haja acordo para sair da União Europeia (UE) até esse dia, o Governo será obrigado a pedir novo adiamento do Brexit aos parceiros europeus.

Com o previsível voto contra ou abstenção de trabalhistas, liberais, nacionalistas escoceses e galeses, verdes, Independentes pela Mudança e vários independentes, o primeiro-ministro não conseguirá a maioria de dois terços legalmente exigida para encurtar a legislatura. Dado que o Parlamento estará suspenso entre 9 de setembro e 14 de outubro, tal significa que não deve haver eleições antes de novembro.

Após uma teleconferência, na manhã desta sexta-feira, entre as forças da oposição, a líder do partido nacionalista galês Plaid Cymru, Liz Saville Roberts, confirmou que há consenso. “Temos de garantir que passamos o dia 31 de outubro e que há um adiamento”, explicou a deputada. Aceitar eleições a 15 de outubro, como pretendia Johnson, seria “fazer o jogo dele”.

A trabalhista Emily Thornberry considerou que a ida às urnas em outubro seria uma “distração” que o primeiro-ministro aproveitaria para forçar a saída da UE sem acordo. Haveria a possibilidade legal de Johnson fazer aprovar uma eleição para 15 de outubro e depois usar prerrogativas do Executivo para adiá-la até depois do prazo do Brexit.

O maior partido da oposição frisou, porém, que quer ir a votos em breve. “Jeremy Corbyn participou numa teleconferência positiva com outros líderes de partidos de oposição esta manhã. Discutiram esforços para evitar um Brexit danoso e sem acordo e realizar eleições gerais mal isso esteja assegurado”, lê-se num comunicado.

ELEIÇÕES MAIS TARDE PREJUDICAM JOHNSON
A oposição tampouco apresentará qualquer moção de censura contra o Governo na segunda-feira. “O primeiro-ministro está em fuga. Boris está quebrado. Temos a oportunidade de o derrubar, de o quebrar e de derrubar o Brexit. E temos de aproveitá-la”, a dirigente galesa.

Um pedido de adiamento subscrito por Johnson, que quinta-feira dizia preferir “morrer numa vala”, enfraqueceria as perspetivas eleitorais do Partido Conservador, tornando-o vulnerável a ataques do Partido do Brexit de Nigel Farage. O primeiro-ministro prometeu vezes sem conta tirar o Reino Unido da UE a 31 de outubro, “dê por onde der”.

Esta sexta, na Escócia, inquirido sobre se obedeceria à lei e pediria mais tempo aos 27 caso chegasse a 19 de outubro sem um acordo, o governante conservador respondeu: “Não vou... não quero um atraso”, sem afirmar que iria ignorar a lei. Há dias o ministro Adjunto Michael Gove admitiu que o Governo poderia não respeitá-la e Saville Roberts confessou temer isso mesmo.

O diário “The Times” revelou, entretanto, que a escolha de 15 de outubro pelo Governo se destinava, em parte, a limitar o tempo para o registo de novos eleitores. Os jovens tendem a votar mais à esquerda, segundo dados das legislativas de 2017.

PEDRO CORDEIRO
 









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