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Opositores do Presidente Kagame desaparecem misteriosamente
O último membro da FDU-Inkingi, um homem de 29 anos pai de dois filhos, desapareceu a escassos cinco quilómetros do destino que nunca alcançou. O Ruanda ganhou apreço...
Publicado Terça-Feira, 6 de Agosto de 2019, às 08:18 | Fonte Expresso - Portugal 0

 
 

AMPE ROGERIO/EPA

Paul Kagame

“Hoje, 15 de julho, por volta do meio-dia, o Sr. Eugene Ndereyimana desapareceu misteriosamente a caminho de Nyagatare, a província oriental [do Ruanda], para se encontrar com membros prospetivos da FDU-Inkingi (Forças Democráticas Unidas-Inking), parte de um exercício para alcançar o número requerido para fundar um partido político”.

Assim começava o press-release difundido naquele dia pelo coletivo de forças políticas em oposição ao Governo do Ruanda, o FDU-Inkingi, apelando a que o Governo tomasse todas as medidas necessárias para encontrar o jovem político de 29 anos, que se encontrava a apenas cinco quilómetros de distância do seu ponto de encontro quando desapareceu.

Eugene Ndereyimana é apenas o último de uma série de casos de desaparecimento que estão a passar de preocupação e suspeita a uma terrível certeza: a oposição ao partido no poder, a Frente Patriótica do Ruanda, e ao Presidente Paul Kagame está a ser sistematicamente minada.

No dia 8 de maio último foi encontrado o corpo de Anselme Mutuiymana despejado na floresta, no dia 8 de outubro de 2018 desapareceu sem deixar rasto o 1.º secretário do FDU-Inkingi, Boniface Twagirimana, em 8 de maio de 2017 foi deixado no hospital de Nyamata o corpo de Habarugira Jean Damascene, desaparecido três dias antes, e desconhece-se o paradeiro de Iluminee Iragena desde 26 de março de 2016.

O rol de queixas e pedidos de esclarecimento às autoridades por parte das FDU tem sido infrutífero. Intimidação contra os opositores políticos, violência, prisão e misteriosos desaparecimentos são perspectivas reais para quem diga o que pensa e têm-se multiplicado nestes últimos anos no Ruanda, país que Kagame lidera desde o fim do genocídio, em 1994.

Enquanto granjeia a simpatia internacional pela modernização do país e capacidade de captar investimento para o desenvolvimento, Kagame tem governado com punho de ferro, eliminando os opositores e eternizando o número de mandatos para os quais tem sido eleito com 95% (2003) e 93% (2010) dos votos.

INTIMIDAR E REPRIMIR
“Fazer parte da oposição política no Ruanda é bastante perigoso. Elementos da oposição têm desaparecido, os casos não têm solução e têm, por isso, um efeito ameaçador”, declarou à Deutsche Welle a vice-diretora da Amnistia Internacional para a África Oriental Sarah Jackson. “É terrivelmente preocupante ver o aumento dos casos de desaparecimento”, conclui.

Não se sabe quem está por trás destes casos de desaparecimento e os corpos podem ser encontrados com os olhos arrancados ou com as cabeças praticamente decepadas. Sabe-se apenas que as pessoas que sofrem estes tratos falaram publicamente contra instâncias ou denunciaram coisas como a brutalidade da polícia. O macabro ajuda a instalar o medo e há uma série de leis em vigor que tornam praticamente impossível confrontar o Governo.

Crimes além-fronteira também têm sido noticiados, não serve de muito fugir do país. Em 2014, o ex-chefe dos serviços de informação e, mais tarde, um dos fundadores do grupo de oposição Congresso Nacional do Ruanda, Patrick Karegeya, foi encontrado estrangulado no seu quarto de hotel na África do Sul. Soube-se que descrevera Kagame como um “ditador” que nunca abandonaria o poder ao jornal ugandês “The Observer” e à BBC quatro anos antes. Karegeya acusava também o chefe de Estado de ordenar crimes políticos.

Paul Kagame respondeu a um possível envolvimento do seu Governo na morte do ex-chefe das secretas com uma frase significativa: “O Ruanda não matou esta pessoa. Mas eu gostaria que o Ruanda o tivesse feito”. E a mensagem para o povo ruandês ficou clara na frase que disse de seguida: “Qualquer pessoa ainda viva que possa estar a conspirar contra o Ruanda, seja quem for, pagará por isso”.

CRISTINA PERES
 









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