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Carola Rackete: Foi uma situação complicada. Sabíamos que romper aquela lei iria atrair muita atenção
Em entrevista ao “El País”, a capitã alemã do Sea Watch 3, mostrou-se desagradada com o rumo da Europa, que acusou de estar a financiar criminosos...
Publicado Quinta-Feira, 11 de Julho de 2019, às 11:54 | Fonte Expresso – Portugal 0

 
 

GUGLIELMO MANGIAPANE/REUTERS

Transformou-se numa heroína dos tempos modernos na luta contra a desumanidade que acontece no Mediterrâneo. Carola Rackete, a capitã do Sea Watch 3, viveu no limbo nas últimas semanas. Começou por resgatar da morte 41 migrantes e, depois de 16 dias à deriva, decidiu furar a intransigência de Matteo Salvini e atracar na ilha italiana de Lampedusa. Foi detida e acabou por sair em liberdade poucos dias depois, esperando agora pelo julgamento. Esta quinta-feira, a alemã, de 31 anos, deu uma entrevista ao jornal “El País” onde aborda o que tem vivido, os pecados da Europa e a sugestão de Vargas Llosa para receber o Nobel da Paz.

“Foi uma situação complicada. Sabíamos que infringir aquela lei iria atrair muita atenção”, começou por dizer àquele diário espanhol. “Muita gente está a ajudar os migrantes na Europa, acolhendo refugiados. Por isso, parece-me pouco natural ou justo que a atenção esteja centrada numa pessoa.

A situação na Europa deixa-a hesitante. Afinal, “é uma situação extremamente polarizada”, observada em Itália, mas também no Reino Unido e Alemanha, diz. “O futuro nos dirá para onde caminha a Europa. (...) Temos de chegar a acordo sobre a vida das pessoas ter o mesmo valor independentemente de onde venham.”

A audiência de Carola Rackete, suspeita em Itália de ajuda à imigração ilegal, estava prevista para terça-feira num tribunal na Sicília, mas foi adiada para 18 julho devido a uma greve nacional de advogados. A defesa da ativista, licenciada em Ciências do Mar, decidiu aderir ao protesto nacional e como tal a audiência no tribunal de Agrigento foi adiada em nove dias, confirmou um dos advogados da jovem capitã alemã à agência noticiosa francesa France Presse (AFP).

Questionada sobre se a Europa esteve à altura do desafio nesta temática, a alemã não tem dúvidas: “Não, de todo! Estão a financiar as guarda-costeiras líbias e um regime que permite tortura e tráfico de seres humanos. A União Europeia não deveria cooperar com organizações assim. Financiam criminosos sabendo que o são. Estou envergonhada pelo meu Governo, um país como a Alemanha, e pela União Europeia por darem apoio a esses criminosos. Nunca o entenderei.”

A segunda pergunta da entrevista mencionou o apelo de Mario Vargas Llosa, o Nobel da Literatura de 2010, que homenageou a capitã alemã numa crónica (AQUI), falando em humanidade e decência e deixando uma sugestão: que se lembrem dela para Nobel da Paz. Que pensa Carola Rackete disso? “Surpreendeu-me muito. A minha irmã mandou-me o artigo. Que este ato tenha desencadeado tudo isto faz-me compreender que a invisibilidade do nosso trabalho é enorme. Há milhares de pessoas a fazer coisas maravilhosas todos os dias.”

EXPRESSO
 









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