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Em livro, Sérgio Rodrigues traz encontro inusitado envolvendo João Gilberto
Em conto sobre os detalhes de um encontro histórico, Sérgio Rodrigues procura se reapaixonar pelo país
Publicado Sábado, 6 de Julho de 2019, às 11:57 | Fonte Correio Braziliense 0

 
 

(foto: Bel Pedrosa/Divulgação)

Está difícil gostar do Brasil. Sérgio Rodrigues anda sentido com o país e, muitas vezes, é atacado pela imensa vontade de ir embora. No entanto, na mesma medida, gostaria de se reencontrar com esse país que parece perdido e dividido. Foi então pedir auxílio ao que há de melhor na cultura brasileira. Daí nasceu o conto A visita de João Gilberto aos novos baianos, que dá nome ao novo livro do escritor mineiro radicado no Rio de Janeiro, autor também de O drible, vencedor do prêmio Portugal Telecom em 2014.

No conto, Rodrigues imagina os detalhes do encontro de João Gilberto com a turma de Baby Consuelo e Moraes Moreira. Descreve conversas, ações e consequências desse episódio ocorrido de fato, porém ficcionalizado em um texto bem-humorado e divertido. “Esse encontro é um momento emblemático da contracultura, uma fantasia completa, mas aconteceu e gerou pelo menos um fruto artístico espetacular que é o Acabou chorare, um dos maiores discos da música brasileira. É um momento que me fascinava. E tem um pouco uma tentativa de me reapaixonar pela cultura brasileira”, avisa o escritor.

Rodrigues anda desiludido com o país e achou que um bom remédio seria mergulhar na própria cultura como espécie de antídoto para o desânimo. E faz isso na primeira parte do livro, batizada de Lado A. Além de João Gilberto, ele trouxe para os contos Machado de Assis. Ou melhor, Capitu e Bentinho. O escritor imagina a noite de núpcias entre o casal mais famoso da literatura brasileira e faz prevalecer a perspectiva de Capitu em um texto revelador. Os poetas da inconfidência também comparecem e, dessa vez, é um caderninho repleto de poemas eróticos o protagonista de uma história cheia de prisões, mortes, igrejas, padres e profanações.

Um caldo digno de aquecer o coração para as maravilhas da literatura brasileira. “Porque é um momento muito difícil. Ninguém aguenta mais o Brasil, está insuportável, está mostrando todos os lados negativos que sempre existiram de uma forma muito agressiva. A vontade diariamente é de ir embora, desaparecer, sumir. E, numa hora dessa, é importante relembrar que o Brasil pode ser muito melhor, tem lados bons e brilhantes e alguns deles estão ali, pelo menos como eu entendo. É importante lembrar que o Brasil pode ser isso também”, avisa o autor.

Conselhos

Vem então o que ele resolveu chamar de Lado B do livro, três contos sobre a vida literária, o ato de escrever e os conselhos possíveis de serem oferecidos aos postulantes ao ofício. Ali, o sarcasmo de Rodrigues assume a dianteira e traz de volta a experiência do autor nos tempos em que se dedicava ao blog Todo prosa. “Lado B é uma radicalização desse processo que é refletir sobre o próprio ato de contar história, o que significa contar história a essa altura do campeonato”, explica. Na época do blog, Rodrigues se surpreendia com a vida própria gerada no espaço: conversas literárias sérias, brigas e amizades se construíam no espaço destinado aos comentários como em uma sala de bate-papos.

Então jornalista de literatura, ele reservava o blog para falar sobre livros, mas não publicava ficção. Mais tarde, começou a escrever pequenos contos sobre o mundo literário. Publicou alguns, guardou outros na gaveta e, recentemente, percebeu que havia ali um material publicável. Escolheu as melhores histórias e as transformou em Cenas da vida zooliterária, volume1, um dos textos do Lado B. “Tem muito a ver com o que significa ser escritor no Brasil hoje e, principalmente, o que tem de ridículo nessa vida literária e tem muito, tem muita vaidade, picaretagem”, garante. O tom satírico também pontua Conselhos literários fundamentais, uma reflexão sobre a própria compulsão em escrever, mas também uma lista de coisas a se fazer (ou não) caso o leitor seja um aspirante a escritor.

O último conto é uma homenagem aos folhetins, gênero histórico que Sérgio Rodrigues traz para a cena contemporânea com um escritor em busca de uma história sobre a taça Jules Rimet. A narrativa, um thriller policial, descamba para um romance com uma milionária e um crime na alta sociedade carioca.

A visita de João Gilberto aos novos baianos

De Sérgio Rodrigues. Companhia das Letras, 146 páginas. R$ 44,90

Trecho de Cenas da vida zooliterária, volume1

Diante de seu computador velhusco, Adolfo Pinho Rosa, o eminente crítico literário, bufava. Maxilares rangendo, testa vincada de rugas, olhar de maluco, dedilhava sua última bomba na batalha internética que havia quase duas horas travava contra Berilo Camargo, o jovem escritor. Flame war era como chamavam em latim contemporâneo aquilo que era moda em 2009 e que naquele início de outono entretinha madrugada adentro, além de Berilo e ele, diversos internautas de nome inventado, alguns tomando um partido ou outro, a maioria só se divertindo com variantes do incentivo à pancadaria que aglomerações humanas tendem jubilosamente a manifestar.

E Adolfo Pinho Rosa escreveu: “Para encerrar esta novela e irmos dormir, eu quero dizer o seguinte: Berilo Camargo não chega a ser um escritor. Se esforça de forma até comovente para isso, mas falta-lhe o talento para transformar seu escasso porém (vá lá) intenso conhecimento literário em literatura. Falta gás. Seus romances, tanto Lava fria quanto Os estranhos habitantes de Marte, são patéticos simulacros de romance.”

Nahima Maciel









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