Rondônia, - 02:41

 

Você está no caderno - NACIONAL
Nacional
Fake news são uma praga e ameaça real à democracia brasileira
Em artigo, o editor de Política do Correio, Carlos Alexandre de Souza, analisa os impactos das notícias fraudulentas e o inquérito das fake news em curso no STF
Publicado Sábado, 1 de Agosto de 2020, às 08:17 | Fonte Correio Braziliense 0

 
 

(foto: Maure)

 

Em artigo publicado no site OpenDemocracy, o professor Matías Ponce apresenta os pontos mais importantes sobre o fenômeno que ele denomina “fakecracia”. Nas palavras de Ponce, “a fakecracia pode ser entendida como um sistema político no qual o uso de fake news é a ferramenta mais relevante de comunicação política. Para os atores políticos, este é um recurso que serve para atacar a oposição política, mas também como uma ferramenta que desvaloriza o trabalho dos jornalistas e espalha o discurso do ódio”. O enunciado é um resumo do nosso tempo. As fake news se transformaram, em escala industrial e organizada, no instrumento político de alta eficácia para que determinados grupos ascendam, mantenham-se no poder e influenciem atos e pensamentos de milhões de pessoas. Não basta apenas falar às massas, manifestar seu ponto de vista, sua causa, sua expressão política. É necessário alimentá-las, constantemente, com ideias que não necessariamente correspondam à realidade. É preciso instigá-las à exaustão e direcioná-las a uma realidade paralela, construída por preconceitos, radicalismo, polarização, simplismo, desinformação.

Apenas para ficar nesta semana, temos uma fake news oficial com o chefe do Executivo, que exibe à multidão uma caixa de cloroquina como se fosse troféu de campeonato, transmitindo a falsa ideia de que o medicamento é eficaz contra a covid-19. E temos uma fake news, digamos assim, bandida, que atribui crimes inexistentes ao influenciador digital Felipe Neto, o mais novo alvo da sanha bolsonarista. Não bastassem a desinformação, a injúria e a calúnia e o ódio disseminados no espaço virtual, as fake news provocam manifestações reais, como as ameaças à integridade física das pessoas –– vejam os casos de Felipe Neto e do ministro Alexandre de Moraes ––, a explosão de fogos às portas do Supremo Tribunal Federal e as passeatas a favor do fechamento do Congresso Nacional. São eles, pessoas ou instituições, os inimigos de quem utiliza a tecnologia para atacar, ofender, caluniar, intimidar, ameaçar. Tudo em nome do poder.

América Latina
O leitor do noticiário político sabe que a influência das redes sociais –– e por extensão, as fake news –– é notória, particularmente nas eleições de Donald Trump e de Jair Bolsonaro. Matías Ponce relata, no entanto, a ocorrência de uma “pandemia” de fake news na América Latina nos últimos quatro anos, com manifestações em nada menos que 11 países –– da democracia neoliberal do Chile à ditadura esquerdista de Chávez. E descreve os efeitos desse mal: “O uso de fake news nas campanhas eleitorais é uma das raízes da desinformação e dos graves problemas que afetam a América Latina. As fake news são poderosas porque fazem com que os eleitores não saibam realmente em quem estão votando”. No caso do Brasil, não é exagero dizer que as fake news jogaram a política brasileira no mais baixo nível desde a redemocratização, nos anos 1980. Mais do que isso, flerta-se perigosamente com o retrocesso. Trinta e cinco anos após reconquistar direitos fundamentais como liberdade de expressão, eleições por voto direto, associação partidária, o país mergulha em um pântano nocivo à democracia e ao Estado de direito. Em 2020, linchamentos de reputações ocorrem em praça pública; dossiês são produzidos a fim de espionar supostos grupos “antifascistas”, sem justificativa penal ou ocorrência de crime; instituições que têm o dever de agir com transparência tentam manipular dados a fim de escamotear a realidade da pandemia; despeja-se dinheiro público em sites reconhecidamente engajados na disseminação de informações falsas.

A praga das fake news no Brasil tornou-se um problema complexo a resolver, com implicações nos poderes Judiciário e Legislativo e impacto relevante para a sociedade. A queda de braço entre o Supremo Tribunal Federal e as empresas administradoras de redes sociais tende a recrudescer e pode se tornar importante no debate mundial sobre a atuação política e a responsabilidade dos gigantes da tecnologia. Há ainda um intenso debate no Congresso, onde se busca encontrar limites para esse fenômeno poderoso da sociedade digital. Em um país onde a democracia ainda está em processo de consolidação, a desinformação sistematizada constitui um veneno político, um impeditivo ao avanço social, um obstáculo às enormes necessidades da nação. Forjadas no reino da mentira, fake news são uma ameaça real.







Veja também em NACIONAL


Mega-Sena acumula e pagará R$ 36 milhões sábado
As apostas poderão ser feitas até as 19h de amanhã ...


Batalhão comemora o dia da família militar
No dia 18 de Setembro, o 9º Batalhão de Engenharia de Combate (9° BE Cmb), Batalhão Carlos Camisão, realizou formatura comemorativa ao Dia da Família Militar....


Diário de Profissões busca apoiar jovens na escolha da futura carreira
Acontece ao longo do mês de outubro a primeira temporada da série ''Diário de Profissões'', idealizada por dois estudantes da UFSCar com o objetivo de apoiar jovens que estão no Ensino Médio na escolha de sua futura profissão....


8ª brigada de infantaria motorizada possui novo chefe do Estado-Maior
No dia 21 de setembro, ocorreu a passagem de chefia do estado-maior da 8ª Brigada de Infantaria Motorizada na unidade....

 




 
 
 
 
EMRONDONIA.COM

Tereré News