Rondônia, - 01:51

 

Você está no caderno - POLÍTICA
Política
Brasil, o personagem
Publicado Segunda-Feira, 16 de Abril de 2018, às 05:33 | Fonte Veja.com 0
https://www.ariquemesonline.com.br/noticia.asp?cod=346841&codDep=19" data-text="Brasil, o personagem

  
 
 

Série 'O Mecanismo' (//Divulgação)

 

Sou do tempo de matinê aos domingo. Em Vitória de Santo Antão, cinemas Braga e Iracema; no Recife, Cine Torre e Modelo. Filmes de bang-bang, com os heróis da época, Durango Kid, Roy Rogers e Buck Jones. Heróis e vilões bem delineados, enredo invariável: final feliz, o bem vencia o mal e um beijinho de adeus deixava a mocinha triste, porém, esperançosa. O gênero capa e espada era o preferido de minha mãe que suspirava frente aos encantos de Errol Flynn e Robert Taylor. E da fonte-símbolo da Atlântida brotavam adoráveis chanchadas.

Mudou tudo. Cinema de bairro já era. Não sou cinéfilo. E evito filmes que puxem muito pelo intelecto. Chorão confesso, minha medida do gosto pelas películas é ditada por sentimentos e emoções. Chorei, filme aprovado! “A noviça rebelde”, “Cinema paradiso”, “Um santo vizinho” e “O menino de pijama listrado”, quase me afogo no vale de lágrimas. Agora com TV, Apple, YouTube e a Netflix, estou solto na buraqueira.

Deu na telha de assistir ao “O mecanismo”. Chorei para dentro. De raiva. De indignação. Li pela imprensa a arenga político-ideológica sobre a série. Claro, encrenca previsível num país partido ao meio, maniqueísta, incivilizado que vem trocando, sistematicamente, a força do argumento pelo argumento da força. As etiquetas pejorativas carregadas de ódios desfazem amizades e apodrecem o saudável debate público. É fascista para um lado; stalinista para o outro; coxinhas e mortadelas, tão saborosas, amargam na boca das ofensas.

Li muita coisa que saiu publicada sobre a matéria. Sem a menor capacidade de avaliar roteiro, fotografia, desempenho dos atores e coisas do gênero, me dei conta que, no mimimi, não encontrei uma referência ao principal personagem do filme: o Brasil.

É bem verdade que personagem tem que assumir uma forma. Neste caso, a forma toma corpo dentro de cada espectador. Como já tinha lido a obra de Vladimir Netto, Lava Jato, historicamente preciosa, factual, jornalisticamente consistente (exceto para os pecadores da inveja), ainda não digeri o espanto de ver, eis a forma, a “amada” Patria-mãe, a Mátria (crédito para Caetano), profanada, violentada, escorraçada, humilhada, sangrando para o deleite dos tenebrosos vampiros.

É o conjunto da obra diabólica do crime organizado que interessa; são tentativas asquerosas em “estancar a sangria” que enojam; é o risco da impunidade que atemoriza. Delinquência não tem lado.

Virou arte. Livro e série. As futuras gerações agradecem.

Gustavo Krause é ex-ministro da Fazenda do governo Itamar Franco 

 







Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

ADS NEWS 5

Veja também em POLÍTICA


PF desarticula grupo que clonou celulares de ministros de Temer
...


PF investiga esquema de caminhoneiros que simulavam roubos de carga
...


‘Passarinho na muda não pia’, despista Josué Gomes sobre candidatura
...


Henrique Meirelles vê 'voo solo' do MDB na disputa ao Planalto
...

 

ADS NEWS 2

ADS NEWS 3


:: Publicidade :::


 
 
 
 
EMRONDONIA.COM