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Ciência e Saúde
Controvérsia sobre edição de genes nos lembra como o dinheiro influencia a ciência
Publicado Sábado, 8 de Julho de 2017, às 09:42 | Fonte GIZMODO 0
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Recentemente, uma discussão no mundo do CRISPR ilustrou o quão facilmente o dinheiro, e a nossa percepção dele, pode impactar a ciência.

No final de maio, saiu um artigo que questionava o quão eficiente a tecnologia de edição de genes realmente é. Trabalhando com ratos, os pesquisadores descobriram que edições feitas com o CRISPR também podem resultar em milhares de mudanças não intencionais nos genomas. O estudo lançou sérias dúvidas e questionou se o CRISPR está pronto para brilhar.

A resposta foi rápida. Os preços das ações de três empresas de CRISPR – Editas Medicine, Intellia Therapeutics e CRISPR Therapeutics – caíram. Cientistas afiliados a essas empresas atacaram de volta, questionando a metodologia do estudo. As ações subiram de novo. O mundo científico ficou atordoado, questionando não apenas a validade do primeiro estudo, mas como acreditar na refutação dele feita por quem tinha mais a perder com essa publicação.

Conflitos de interesse não são um problema novo na ciência. Um exemplo frequentemente citado é o papel que os cientistas financiados pela industria do tabaco tiveram em distorcer a consequências à saúde com o tabagismo. Existe um significante conjunto de provas sugerindo que os interesses financeiros podem se relacionar com resultados favoráveis. Mas conflitos de interesse nem sempre são ruins. O financiamento de pesquisas a partir de fontes com interesses em um assunto podem às vezes ajudar o avanço da ciência, principalmente quando poderia não ter nenhum financiamento – pense em grupos apoiados por pacientes para a cura de doençaspouco conhecidas.

O que sem dúvida é verdade é que o dinheiro desempenha um papel significativo na ciência. E raramente houve tanto dinheiro em jogo como com o CRISPR, a técnica de edição de genes que promete curar tudo, desde doenças genéticas até a fome global, permitindo que os pesquisadores facilmente cortem e colem genes específicos. Quando os cientistas cuja fortuna e reputação dependem de uma determinada tecnologia falam contra um artigo que questiona essa tecnologia, é difícil não se perguntar como esse viés pode influenciar.

“Há essa suposição tácita de que as pessoas na pesquisa acadêmica são impulsionadas principalmente pela busca do conhecimento e da ciência”, disse Josephine Johnston, uma bioética do The Hastings Institute, ao Gizmodo. Mas na história recente, as controvérsias sobre coisas como o tabaco e os Organismos Geneticamente Modificados começaram a acabar com essa ideia. “Quando ficou claro que mais e mais cientistas tem uma participação financeira, surgiu muita preocupação”, disse Johnston.

Quando se trata do CRISPR, as participações financeiras são certamente complicadas. Dois grupos separados de cientistas já estiveram envolvidos em uma longa batalha pela patente da tecnologia, um com sede no The Broad Institute do MIT e Harvard, e o outro na Universidade da Califórnia em Berkeley (até agora, os EUA concederam a patente à Broad, mas a Europa e a China se juntaram a Berkeley). A patente dá aos cientistas a capacidade de licenciar a tecnologia. Neste caso, a Broad licenciou a tecnologia para a Editas, uma empresa fundada por cientistas em Berkeley e Broad. Berkeley licenciou suas patentes para a Intellia, empresa que Jennifer Doudna da Berkeley também é fundadora, assim como para a CRISPR Therapeutics.

A maioria dos cientistas que ocupam o altos cargos de pesquisa CRISPR tem importantes participações financeiras em empresas de CRISPR cotadas na bolsa, criando um forte incentivo em toda a indústria para o CRISPR ter sucesso. A preocupação é que um viés favorável ao CRISPR poderia potencialmente fazer com que os pesquisadores interpretem mal ou desviem os resultados do estudo ou começassem testes clínicos em humanos antes que o CRISPR esteja realmente pronto.

Isso não quer dizer que haja necessariamente algo de errado com os pontos que os cientistas associados ao CRISPR levantaram em sua refutação ao artigo, questionando suas metodologia. Na verdade, vários outros cientistas levantaram preocupações semelhantes.

“As finanças certamente podem influenciar a ciência. Não apenas em empresas, mas também as apoiadas pelo governo”, disse George Church, autor do documento de refutação e fundador da Editas, disse ao Gizmodo por e-mail. “Nós basicamente levantamos questões que os autores originais podem tratar. Não exigimos autores perfeitos e imparciais. Qualquer um pode apontar um problema potencial”.

Michael Kalichman, diretor do programa de ética de pesquisa da Universidade da Califórnia em San Diego, apontou que o interesse financeiro não é o único vício que os cientistas tem que desconfiar.

“Falamos sobre conflitos de interesse por muitos anos na ciência e, por muitos motivos, esse foco tem sido em conflitos financeiros. Por um lado, é fácil de enxergar”, disse ele ao Gizmodo. “O que considero surpreendente é que até os cientistas esquecem que existem outros conflitos que podem influenciar o trabalho, como o posto acadêmico, sua reputação ou simplesmente estar empolgado com uma idéia”.

 

 

 

“Nós basicamente levantamos questões que os autores originais podem tratar… Qualquer um pode apontar um problema potencial”.

 

 

 

Kalichman disse que sua maior preocupação não é que os cientistas realmente estejam fazendo algo antiético, e sim que os conflitos de interesses financeiros criam a ideia de que eles estão. O documento que provocou a controvérsia do CRISPR recebeu atenção da imprensa na maioria dos principais meios de comunicação, e o ataque contra ele também recebeu atenção significativa.

“Parte de mim está preocupada com a forma como [esta luta CRISPR] está desenrolando por causa da imagem que dá sobre a ciência”, disse ele. “Temos essa briga nas páginas de revistas científicas que criam essa noção que é isso que a ciência trata, quando a maioria da prática científica não é sobre isso”.

Johnston também mostrou essa preocupação.

“A introdução desses interesses financeiros embaça as coisas o bastante para que as pessoas não saibam em quem confiar”, disse ela. “Seja ou não possível ver qualquer coisa errada com um dos estudos, ainda existe essa suspeita de que as participações financeiras devem ter desempenhado algum papel nisso. Essa é uma coisa muito ruim para toda a ciência”.

No trabalho inicial publicado na Nature Methods, cientistas de Stanford e da Universidade de Iowa trabalhando em curar a cegueira em camundongos descobriram que, embora o CRISPR editasse com sucesso o gene para cegueira, também causou mutações em mais de mil genes não relacionados. As consequências desses efeitos não visados, muito mais extensas do que anteriormente notadas, são amplamente desconhecidas. “Esta descoberta alerta que a tecnologia CRISPR deve ser melhorada, particularmente antes de ser usada para terapia genética humana”, escreveram os pesquisadores.

 

 

 

“A introdução desses interesses financeiros embaça as coisas o bastante para que as pessoas não saibam em quem confiar”.

 

 

 

Como mencionado, os cientistas associados às empresas CRISPR não foram os únicos, nem os primeiros, a criticar o estudo. Muitos cientistas alertaram sobre erros básicos, como na identificação de genes e erro na identificação de defeitos genéticos, além do pequeno número de animais que os pesquisadores incluíram em suas pesquisas. Mas outros cientistas acharam exagerada a reação contra o periódico, com uma carta contra o editor. Alguns, como o professor da UC Davis, Paul Knoepfler, sugeriram que o problema real era que os resultados haviam sido mal interpretados e exagerados na imprensa.

Cientistas da Intellia e Editas enviaram cartas separadas para Nature Methods, a forçando a eventualmente acrescentar uma nota ao estudo sobre a controvérsia em torno da publicação. Além disso, ao publicar seu próprio estudo, que ataca a metodologia do trabalho inicial, os cientistas associados à Editas optaram por publicar uma versão anterior à impressa na revista, antes de ser revisada. E por mais que o documento de resposta mencione as instituições e empresas com quem cada autor está afiliado, não há uma seção clara de conflito de interesses. (Church disse que os conflitos de interesse serão incluídos na publicação da revista).

Esta semana, uma pré-impressão de um segundo artigo publicado por cientistas da Intellia que reanalisou os dados do documento original e encontrou muito menos edições não desejadas também apareceram na internet.

Em um comunicado, o Broad Institute disse que o processo de revisão pares eliminar o impacto de qualquer conflito.

“Artigos científicos – seja fazendo uma nova constatação, ou analisando uma constatação científica existente – devem sempre ser sujeitos a uma avaliação rigorosa pela comunidade científica para determinar se a evidência científica realmente apoia o argumento do artigo”, disse o Broad Institute ao Gizmodo. “Essa revisão pela comunidade fornece proteção contra argumentos incorretos, seja devido a um erro científico, interesse financeiro, de reputação ou qualquer outra coisa”.

A maioria dos periódicos e instituições de pesquisa possuem uma ampla política de conflito de interesses. Em 2010, a UNESCO pediu que as revistas adotem um padrão comum ao lidar com “os acordos financeiros complexos e crescentes que se desenvolveram nos últimos anos entre os interesses adquiridos e cientistas independentes”. Mesmo assim, às vezes esses laços acabamsendo omitidos.

Kalichman disse pode ser preciso mais critérios para abordar os conflitos de interesse no campo da ciência básica.

“Na pesquisa clínica, você faz tudo o que pode para separar os interesses financeiros das pessoas que fazem o trabalho”, disse Kalichman. “Nós realmente não falamos sobre isso na pesquisa básica, mas talvez precisemos fazer algo assim. Talvez se você tiver interesse financeiro, não deve ser você quem analisa os dados brutos”.

É quase impossível eliminar completamente o conflito na ciência – seja financeiro ou de outro tipo. Além disso, faz sentido que os cientistas possam ganhar dinheiro com seu próprio trabalho. Mas também é impossível não reconhecer que esses interesses podem influenciar a ciência. Como eles não poderiam?

Imagem do topo: AP Images

 

 





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